H das HQs

José Carlos de Brito e Cunha, conhecido como J. Carlos, (Rio de Janeiro, 18 de junho de 1884 — Rio de Janeiro, 2 de outubro de 1950) foi um chargista, ilustrador e designer gráfico brasileiro. J. Carlos também fez esculturas, foi autor de teatro de revista, letrista de samba, e é considerado um dos maiores representantes do estilo art déco no design gráfico brasileiro.

Seu primeiro trabalho foi publicado em 1902, na revista Tagarela, com uma legenda explicando ser aquele o desenho de um principiante. Passa a colaborar regularmente com a revista e, em abril do ano seguinte, já desenha a capa da publicação.

Sua incursão como artista de histórias em quadrinhos (HQs) inicia-se na revista O Malho, em 8 de julho de 1905, e continua n’O Tico-Tico, a partir de 11 de outubro do mesmo ano. Foi na edição de 14 de fevereiro de 1906 dessa revista que veio à luz o personagem Juquinha, primeiro herói nacional dos quadrinhos infantis. Já em 16 de outubro de 1907, surge Giby, primeiro personagem afro-brasileiro do gênero, companheiro e vítima das travessuras de Juquinha. J. Carlos deixa de colaborar com O Tico-Tico em 27 de dezembro de 1907.

Após um intervalo de cinco anos, volta a publicar quadrinhos em 4 de dezembro de 1912, na revista O Juquinha, o que faz até 23 de abril de 1913, quando então se encerra aquela que é tida como a primeira fase de seu trabalho com HQs e na qual se concentra a quase totalidade de sua produção.

Os trabalhos de J. Carlos apareceriam nas melhores revistas de sua época: além das já citadas O Malho e O Tico-Tico, igualmente Fon-Fon, Careta, A Cigarra, Vida Moderna, Eu Sei Tudo, Revista da Semana e O Cruzeiro.

Sua obra é não apenas variada, como também bastante numerosa, sendo calculada por alguns em mais de cem mil ilustrações.

Nos anos 30, J. Carlos foi o primeiro brasileiro a desenhar Mickey Mouse. Em 1941, Walt Disney visitou o Brasil, ficou impressionado com o estilo de J. Carlos e o convidou para trabalhar em Hollywood. O ilustrador recusou o convite, porém enviou a Disney um desenho de um papagaio que serviu de inspiração para a criação de Zé Carioca.

J. Carlos sofreu uma hemorragia cerebral enquanto estava reunido com o compositor João de Barro, o Braguinha, discutindo a ilustração para a capa de seu próximo disco. Faleceu dois dias depois, em 2 de outubro de 1950.

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